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O beija-flor e a borboleta

  • Foto do escritor: Silvia [Adorno]. Bibliotecária. Literatura adorna a vida.
    Silvia [Adorno]. Bibliotecária. Literatura adorna a vida.
  • 1 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Era uma vez um lindo beija-flor de penas reluzentes, pequenino, mas muito ágil que vivia num grande campo que era lindo, mas que não era verde, era vermelho.


O beija-flor, com toda sua agilidade, sempre queria cuidar de tudo, mas de tudo ao mesmo tempo: queria competir, assistir, acompanhar, estudar, e brincar. Para dar conta de tudo, inclusive do medo de não conseguir, ele ficava ainda mais ágil e batia suas asinhas cada vez mais rápido, rápido, rápido e quase sempre não dava conta do tanto que tinha para fazer. Com esta forma de agir o beija-flor deixava o grande campo vermelho turbulento, palpitante e nervoso.


Um dia o beija-flor cansado e triste, escondeu-se no seu ninho e, ao invés de fazer tudo o que queria e não conseguia, sentiu-se incapaz de resolver até pequenas tarefas.


Acontece que o pequeno agitado desta história, não vivia sozinho no grande campo vermelho pois lá também vivia a borboleta. Ela, linda, também tinha algo de reluzente, suas asas coloridas que brilhavam com a luz do sol.


Ao passar, num voo suave de bailarina, perto do ninho do beija-flor, percebeu o quanto seu amigo estava triste e começou a falar com ele, num tom de voz sábio e tranquilo, emitindo o som da amizade, da empatia e disse:


- Querido amigo! A tempos observo você, vejo o quanto se esforça para dar conta de todos os seus desafios e, também, conseguir tempo para praticar suas atividades favoritas, entre elas conversar comigo.


-Não dá tempo, né? Percebe que precisa organizar seu tempo? Uma coisa de cada vez.


O beija-flor respondeu:

-Não consigo, não dou conta, não posso, tenho medo de perder, de fracassar.


A borboleta, sobe e desce graciosamente, contornando o vento com suas asas de cores brancas e amarelas responde:

-Você se esqueceu de mim. Esqueceu-se que sou uma fada, a fada da pausa cuidadosa, do inspirar e do expirar?


Quantas vezes disse a você que precisamos cuidar do nosso campo vermelho, ele é que nos mantém com força e vitalidade? Vivemos nele e devemos sempre olhar para o nosso céu cinzento, precisamos manter nosso campo e nosso céu cinzento em harmonia para que juntos tenham as cores que fazem a nossa vida brilhar.


-Ânimo querido amigo! Disse a borboleta num gesto convidativo ao beija-flor, abrindo calmamente as suas asas, mobilizando as asas dele para que juntos recomeçassem aquele dia com calma, reconectando o campo vermelho e o céu cinzento, tingindo tanto o céu, quanto o campo com as cores da empatia, da amizade, da busca pelo tempo certo de realização para tudo o que precisassem e quisessem fazer.


A borboleta ensaiou com o seu amigo sua coreografia de fada da respiração cuidadosa. Juntos, calmamente e com gentileza abriram suas asas inspirando: valorizando o mesmo ar que os une e; expirando: deixando o ar sair de seus corpinhos, agora ágeis mas sábios, em forma de sopro fechando o ciclo com um sorriso.


E você, também anda agindo como o beija-flor esquecendo-se da fada da pausa cuidadosa, a borboleta calma e sábia?


Silvia Gonçalves

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